Após recuo da Fiesp, agronegócio publica manifesto em defesa da democracia

Depois da decisão da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) de adiar a publicação de um manifesto em defesa da democracia, sete entidades ligadas ao agronegócio divulgaram, nesta segunda-feira, 30, um texto no qual condenam a instabilidade institucional. No documento, os órgãos manifestam “preocupação com os atuais desafios à harmonia político-institucional e, como consequência, à estabilidade econômica e social em nosso país”. “Em nome de nossos setores, cumprimos o dever de nos juntar a muitas outras vozes responsáveis, em chamamento a que nossas lideranças se mostrem à altura do Brasil e de sua História”, afirma a carta.

As entidades também se mostram preocupados com a ameaça de uma ruptura institucional e dizem que a instabilidade política traz consequências negativas para a economia brasileira. “Somos uma das maiores economias do planeta, um dos países mais importantes do mundo, sob qualquer aspecto, e não podemos nos apresentar à comunidade das Nações como uma sociedade permanentemente tensionada em crises intermináveis ou em risco de retrocessos e rupturas institucionais. O Brasil é muito maior e melhor do que a imagem que temos projetado ao mundo. Isto está nos custando caro e levará tempo para reverter”, escrevem. São signatários do manifesto a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), a Associação Brasileira de Produtores de Óleo de Palma (Abrapalma), a CropLife Brasil, a Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) e o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

Como a Jovem Pan mostrou, o manifesto da Fiesp, que já contava com a adesão de mais de 200 signatários dos setores financeiro e empresarial, estava previsto para ser divulgado no início desta semana, mas sua publicação foi adiada após uma conversa do presidente da federação, Paulo Skaf, com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), no final de semana. Em uma das versões preliminares do texto, ao qual a reportagem teve acesso, intitulado de “A praça é dos três Poderes”, os signatários dizem ver “com grande preocupação a escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas”. O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou, nesta segunda-feira, 30, em conversa com jornalistas, que não houve consenso sobre o teor da nota, porque “alguém da Febraban [Federação Brasileira de Bancos]” teria alterado o texto para fazer “um ataque ao governo” Bolsonaro.

Leia abaixo a íntegra da carta de entidades do agronegócio:

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