Dólar passa de R$ 5,30 após escalada da tensão política; Ibovespa recua mais de 2,5%

O mercado financeiro brasileiro opera no campo negativo nesta quarta-feira, 8, com os impactos da escalada da tensão em Brasília após os atos de 7 de Setembro. Investidores analisam os reflexos das falas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em ataques a membros do Judiciário e aguardam pela manifestação de lideranças políticas. Por volta das 13h10, o dólar registrava alta de 1,95%, cotado a R$ 5,278. O câmbio chegou a bater a máxima de R$ 5,310, enquanto a mínima não passou de R$ 5,197. A divisa norte-americana fechou na segunda-feira, 6, a R$ 5,212, com queda de 0,15%. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, registrava queda de 2,66%, aos 114.728 pontos. Caso feche neste patamar, será o pior desempenho da Bolsa desde 25 de março, quando encerrou aos 114.024 pontos.

Investidores acompanham os desdobramentos dos discursos de Bolsonaro nesta terça-feira e a elevação da tensão entre os Três Poderes. O presidente voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), em especial o ministro Alexandre de Moraes, a quem chamou de “canalha”. Em fala na avenida Paulista, Bolsonaro afirmou que “só Deus” o tira da presidência da República. “Quero dizer àqueles que querem me tornar inelegível em Brasília: só Deus me tira de lá. Só saio preso, morto ou com a vitória. Dizer aos canalhas: eu nunca serei preso. A minha vida pertence a Deus, mas a vitória pertence a todos nós.” Ainda na terça-feira, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), suspendeu as atividades da Casa. Para esta quarta-feira são esperadas manifestações dos presidentes da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), e do STF, ministro Luiz Fux.

A instabilidade política deve dificultar a aprovação de matérias importantes ao governo no Legislativo. Segundo apurou a Jovem Pan, o presidente do Senado deve devolver a medida provisória (MP) que limita a remoção de conteúdos publicados nas redes sociais, editada pelo chefe do Executivo federal na segunda-feira, 6. Ainda tramita na Casa a reforma do Imposto de Renda e a privatização dos Correios. Também voltou ao radar dos analistas a possibilidade de um impeachment do presidente. Além da pressão de partidos da esquerda, legendas que até então se mostraram neutras passam a analisar a saída do presidente. A executiva nacional do PSDB vai discutir nesta quarta-feira a posição do partido sobre a possível apresentação de um pedido de impeachment e eventuais medidas legais contra Bolsonaro. O encontro foi convocado pelo presidente nacional da sigla, Bruno Araújo, diante do que classificou como “gravíssimas declarações” do presidente nos discursos durante os atos de 7 de setembro. O governador de São Paulo, João Doriadefendeu o afastamento de Bolsonaro pela primeira vez e elogiou a iniciativa do partido.

 

 

 

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