O doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em Geriatria, fundador do projeto social Humaniza Sertão, coloca a saúde cognitiva como uma das prioridades centrais do acompanhamento geriátrico, entendendo que proteger o cérebro é proteger a autonomia e a identidade do idoso. O esquecimento de nomes, compromissos ou onde foram colocados objetos são queixas frequentes na terceira idade que geram ansiedade e, muitas vezes, interpretações equivocadas sobre o que está acontecendo com o cérebro. Nem todo esquecimento é sinal de demência, mas nenhum esquecimento deve ser ignorado sem avaliação adequada.
Neste artigo, você vai aprender a diferenciar o esquecimento normal do patológico, quais fatores protegem o cérebro do envelhecimento e como agir diante dos primeiros sinais de declínio cognitivo. Não deixe de ler!
Esquecimento normal ou sinal de alerta: como diferenciar?
Um dos maiores desafios no cuidado à saúde cognitiva do idoso é distinguir o que é esquecimento benigno relacionado ao envelhecimento normal do que representa um sinal de alerta para condições mais sérias. Por isso, o envelhecimento saudável pode provocar uma leve desaceleração na velocidade de processamento de informações e alguma dificuldade para recuperar nomes ou palavras de forma imediata. Esses lapsos são pontuais, não progressivos e não comprometem a capacidade do idoso de funcionar de forma independente.
Segundo o doutor Yuri Silva Portela, os sinais que merecem avaliação especializada urgente são qualitativamente diferentes. Como esquecer compromissos recentes com frequência, perder-se em trajetos conhecidos, ter dificuldade para administrar finanças que antes eram gerenciadas com facilidade, repetir as mesmas perguntas ou histórias em uma mesma conversa e apresentar mudanças de personalidade ou de comportamento são indicadores que precisam ser investigados por um geriatra ou neurologista. Esses sinais podem representar, portanto, o comprometimento cognitivo leve ou demência em estágio inicial, condições que se beneficiam enormemente de diagnóstico e intervenção precoces.
Quais hábitos protegem o cérebro na terceira idade?
A saúde cognitiva não depende apenas da genética, mas de um conjunto de hábitos e escolhas de estilo de vida que têm papel significativo na proteção do cérebro ao longo do tempo e podem reduzir substancialmente o risco de declínio cognitivo e demência. A boa notícia é que muitos desses hábitos são acessíveis, não têm custo e podem ser adotados em qualquer fase da vida, com benefícios que se acumulam com o tempo.
Yuri Silva Portela frisa que o exercício físico regular ocupa o topo da lista dos protetores cognitivos. Isto é, a atividade física aumenta o fluxo sanguíneo cerebral, estimula a produção de fatores neurotróficos que promovem a sobrevivência dos neurônios e reduz o risco de doenças cardiovasculares, que são importantes fatores de risco para demência vascular. Portanto, caminhadas diárias de 30 minutos já são suficientes para produzir benefícios mensuráveis sobre a saúde do cérebro.
O papel do neuropsicopedagogo na avaliação cognitiva do idoso
A avaliação cognitiva do idoso ganha profundidade e precisão quando conta com a participação de profissionais especializados, como o neuropsicopedagogo. Com formação voltada para os processos de aprendizagem, memória e funcionamento cognitivo, esse profissional contribui com ferramentas de avaliação que complementam o olhar clínico do geriatra e permitem identificar padrões de comprometimento que podem escapar a avaliações menos especializadas.

No contexto do projeto social Humaniza Sertão, os neuropsicopedagogos voluntários realizam avaliações que identificam tanto dificuldades cognitivas em idosos quanto problemas de aprendizagem em crianças das comunidades atendidas. Segundo Yuri Silva Portela, essa dupla contribuição reflete a visão do projeto, que entende a saúde como um fenômeno que atravessa todas as gerações e que precisa ser cuidado em toda a sua extensão. A presença desse profissional nas ações mensais do projeto agrega uma camada de cuidado que raramente está disponível para as populações vulneráveis do sertão.
Como a família pode estimular a saúde cognitiva do idoso?
A família tem um papel ativo e insubstituível na promoção da saúde cognitiva do idoso. O ambiente doméstico, as rotinas cotidianas e a qualidade das interações familiares influenciam diretamente a estimulação cerebral que o idoso recebe no dia a dia. Logo, criar um ambiente que seja ao mesmo tempo seguro e estimulante é uma das contribuições mais valiosas que a família pode oferecer ao parente idoso.
Além disso, conversar regularmente com o idoso sobre temas variados, incluí-lo nas decisões familiares, estimulá-lo a manter hobbies e atividades de seu interesse e proporcionar experiências novas de forma gradual e segura são práticas que mantêm o cérebro ativo e engajado. Nota-se que algumas atividades são excelentes formas de estimulação cognitiva e que têm a vantagem adicional de fortalecer os vínculos familiares, como jogos de tabuleiro, palavras cruzadas e leitura compartilhada, ou como atividades manuais, como artesanato e culinária.
Proteger a memória é preservar a identidade do idoso
A saúde cognitiva é, em última análise, a preservação da identidade do idoso. É a capacidade de reconhecer os rostos amados, de recordar as histórias vividas, de tomar decisões sobre a própria vida e de participar ativamente do mundo ao redor. Cuidar do cérebro é cuidar de tudo que torna cada pessoa única e insubstituível.
O compromisso do doutor Yuri Silva Portela com a saúde cognitiva dos pacientes que acompanha, tanto no consultório quanto nas ações do Humaniza Sertão, é uma expressão desse entendimento profundo. A medicina que cuida do cérebro com a mesma atenção que cuida do coração é uma medicina que respeita a totalidade do ser humano.
Não espere que os sinais de alerta se tornem óbvios. Busque avaliação geriátrica preventiva, estimule a saúde cognitiva do idoso que você ama e aja com rapidez diante de qualquer mudança preocupante. A memória merece cuidado antes de falhar.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

