Governo americano confirma sobretaxa que passa a valer em 22 de julho, mas abre exceções para itens como café, carne bovina e petróleo bruto.
O governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma nova tarifa adicional de 25% sobre uma lista extensa de produtos brasileiros, medida que entra em vigor no dia 22 de julho e reacende as tensões comerciais entre os dois países. Diferentemente do tarifaço anterior, que chegou a atingir 40% e incluía itens como carne e café, a nova rodada de sobretaxas traz uma lista mais específica, com exceções para alguns dos principais produtos da pauta exportadora nacional. A dúvida que fica para empresários, exportadores e consumidores é simples: quem realmente vai sentir o impacto dessa nova taxa e o que muda na prática para quem depende do comércio com os Estados Unidos.
O que diz a nova medida anunciada pelos Estados Unidos
A medida estabelece uma sobretaxa de 25% a partir de 22 de julho, mas deixou de fora da lista produtos como café, carne bovina e petróleo, itens que estavam entre os mais afetados nas rodadas anteriores do conflito comercial. Entre os produtos que não terão a cobrança adicional estão ainda laranjas e sucos de laranja, gás natural, produtos farmacêuticos e aeronaves civis, uma sinalização de que o governo americano buscou preservar setores considerados sensíveis para a inflação doméstica dos Estados Unidos, especialmente a de alimentos. Poder360Poder360
Por outro lado, a lista de exceções não abrange toda a pauta de exportação brasileira. Produtos como etanol, máquinas agrícolas, calçados, itens industriais e semicondutores continuam sujeitos à tarifa adicional de 25%, o que deve pressionar setores da indústria de transformação e do agronegócio ligado a máquinas e insumos. A tarifa não será aplicada a mercadorias que já tiverem deixado o Brasil rumo aos Estados Unidos antes da entrada em vigor da medida, e o governo americano afirmou que poderá rever a lista conforme o andamento das negociações entre os dois países, o que mantém uma margem de incerteza sobre o cenário nos próximos meses. Poder360Poder360
Por que os Estados Unidos voltaram a taxar produtos brasileiros
A nova sobretaxa é resultado de uma investigação concluída pelo escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, que recomendou o tarifaço como resposta ao que classifica como práticas comerciais consideradas injustas por parte do Brasil. O mesmo órgão já havia sugerido anteriormente uma tarifa adicional de 12,5% após uma investigação sobre suposto uso de trabalho forçado, sem que ficasse claro se as penalidades seriam somadas às demais sobretaxas em vigor. A decisão final sobre a aplicação de cada uma dessas medidas cabe ao presidente americano.
O histórico recente ajuda a entender a origem do impasse. Meses antes, o governo americano havia imposto uma tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil, citando entre as justificativas a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, então em julgamento no país. Posteriormente, após um encontro entre os presidentes Lula e Trump e pressionado pelo aumento da inflação nos Estados Unidos, o governo americano retirou a sobretaxa de 40% sobre produtos agrícolas como carne, café e banana, o que mostra como o tema segue sendo usado como instrumento de negociação política e não apenas comercial.
O que o Brasil pode fazer e qual o impacto para empresas
Para especialistas em comércio internacional, o novo tarifaço vai além de uma simples medida econômica. Um advogado especializado em Direito Internacional avalia que o anúncio sinaliza uma mudança na forma como os Estados Unidos conduzem sua política externa, usando o comércio como instrumento de pressão diplomática, o que tende a aprofundar o desgaste na relação bilateral caso as tarifas sejam mantidas ou ampliadas. O TEMPO
Do lado do governo brasileiro, o Ministério da Fazenda estuda editar uma medida provisória para socorrer as empresas mais impactadas pela nova taxa, repetindo a estratégia adotada no ano anterior com a criação do Programa Brasil Soberano. Também está sobre a mesa a possibilidade de o Brasil adotar medidas de reciprocidade contra produtos americanos, embora parte dos especialistas recomende cautela para não ampliar ainda mais o conflito comercial entre os dois países. Vale destacar que empresas multinacionais como Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens já enviaram comentários formais ao USTR pedindo que a tarifa adicional de 25% não seja implementada, um sinal de que o setor privado internacional também está atento aos possíveis efeitos colaterais da medida sobre suas cadeias de fornecimento.
O novo tarifaço deixa claro que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos segue instável, alternando entre momentos de alívio e novas rodadas de pressão. Para exportadores de calçados, máquinas agrícolas e etanol, a recomendação é acompanhar de perto eventuais atualizações na lista de produtos afetados, já que o próprio governo americano admite que pode revisá-la conforme avançarem as negociações. Enquanto isso, o mercado brasileiro aguarda sinais mais concretos sobre a medida provisória em estudo pelo Ministério da Fazenda, que pode amenizar o impacto da tarifa sobre os setores mais expostos ao comércio com os Estados Unidos.
Fontes consultadas:
https://www.otempo.com.br/economia/2026/7/15/novo-tarifaco-governo-dos-eua-confirma-nova-taxa-de-25-sobre-produtos-brasileiros
https://www.poder360.com.br/poder-economia/saiba-quais-produtos-brasileiros-serao-afetados-pelo-novo-tarifaco-dos-eua/

