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Por que é difícil romper um relacionamento abusivo: a visão de Taiza Tosatt Eleoterio

Diego Velázquez
Diego Velázquez 10 de julho de 2023
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5 Min leitura
Taiza Tosatt Eleoterio
Taiza Tosatt Eleoterio
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Entre os principais desafios enfrentados por quem trabalha com saúde mental e relações familiares está explicar, de forma acolhedora e sem julgamento, por que tantas mulheres permanecem em relacionamentos marcados por abuso emocional ou físico, mesmo reconhecendo o sofrimento que vivenciam. A psicanalista Taiza Tosatt Eleoterio dedica parte de sua atuação a esclarecer esse fenômeno a partir de uma perspectiva que considera história pessoal, dinâmicas inconscientes e contexto social, evitando qualquer leitura simplista que atribua a permanência apenas a fraqueza ou falta de discernimento por parte da mulher.

Contents
O que a psicanálise compreende sobre apego em relações abusivas?Violência doméstica: como romper o ciclo?Dependência emocional sempre está presente em relações abusivas?Como apoiar alguém que vive essa situação sem julgamento?

O que a psicanálise compreende sobre apego em relações abusivas?

A psicanálise observa que vínculos afetivos construídos desde a infância influenciam profundamente os padrões de relacionamento estabelecidos na vida adulta, inclusive em situações nas quais o amor aparece misturado a medo, controle ou instabilidade emocional. Pessoas que cresceram em ambientes familiares marcados por imprevisibilidade afetiva podem desenvolver, sem perceber, maior tolerância a relações que reproduzem essa mesma instabilidade, já que o sistema emocional se acostuma a associar intensidade e sofrimento à própria experiência de vínculo. Taiza Tosatt Eleoterio costuma destacar que compreender essa origem inconsciente ajuda a substituir julgamento por empatia, reconhecendo que a permanência em um relacionamento abusivo raramente decorre de escolha consciente e deliberada.

O medo, presente tanto em relação a possíveis retaliações quanto à incerteza sobre o futuro fora do relacionamento, costuma funcionar como barreira concreta para que a mulher busque ajuda ou tome decisões de afastamento. A vergonha, por sua vez, frequentemente surge da internalização de julgamentos sociais sobre relacionamentos abusivos, levando muitas mulheres a esconder sua situação até mesmo de pessoas próximas, por temerem ser culpabilizadas ou não acreditadas. Esses dois sentimentos, combinados, tendem a criar isolamento progressivo, reduzindo o acesso a redes de apoio que poderiam oferecer perspectiva externa e suporte prático para uma eventual saída do relacionamento.

Violência doméstica: como romper o ciclo?

O ciclo da violência doméstica costuma se manifestar em fases que se repetem ao longo do tempo, alternando entre momentos de tensão crescente, episódios de abuso propriamente ditos e períodos posteriores de aparente reconciliação, nos quais o agressor demonstra arrependimento e promete mudança. Essa alternância tende a reforçar a esperança de transformação na pessoa que sofre o abuso, dificultando a percepção de que o padrão tende a se repetir ao longo do tempo, ainda que com intensidade variável entre os ciclos. Reconhecer esse padrão cíclico, sem se culpar por não ter percebido antes, representa passo importante para quem busca compreender sua própria experiência e considerar caminhos possíveis de mudança.

Taiza Tosatt Eleoterio reforça a importância de despir-se de qualquer sentimento de culpa, analisando que a quebra do ciclo é, de fato, um processo complexo e que exige bastante força de vontade, mas que é indubitavelmente o melhor para a pessoa.

Dependência emocional sempre está presente em relações abusivas?

Não necessariamente da mesma forma em todos os casos, mas a dependência emocional costuma se desenvolver gradualmente, à medida que a autoestima da pessoa vai sendo erodida por críticas constantes, isolamento social induzido pelo parceiro e controle progressivo sobre diferentes aspectos da vida cotidiana. Taiza Tosatt Eleoterio elucida que esse processo gradual dificulta a percepção, pela própria pessoa, de que sua autonomia está sendo comprometida, já que as mudanças costumam ocorrer de forma sutil e ao longo de período prolongado, e não de maneira abrupta e facilmente identificável.

Como apoiar alguém que vive essa situação sem julgamento?

Oferecer escuta acolhedora, sem pressionar por decisões imediatas ou expressar julgamento sobre a permanência no relacionamento, costuma representar forma mais eficaz de apoio do que cobranças ou ultimatos, que tendem a reforçar isolamento e vergonha. Validar os sentimentos da pessoa, reconhecendo a complexidade emocional envolvida em sua situação, ajuda a manter aberto canal de comunicação que pode se tornar essencial no momento em que ela sentir segurança para buscar mudança. Indicar a existência de redes de apoio comunitário e profissionais especializados em saúde mental, sem insistência, também contribui para que a pessoa saiba que possui caminhos disponíveis quando estiver preparada para buscá-los.

 

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