Recuperação dos ETFs americanos sustenta o preço da criptomoeda, mas CLARITY Act segue travado no Senado dos EUA e trava avanço mais forte
O Bitcoin passa a primeira semana de agosto em compasso de espera. Nesta quarta-feira (5/8), a criptomoeda está cotada perto de US$ 64 mil, ainda sem forças para romper a faixa de lateralização em que se encontra há dias. O movimento reflete um mercado que reduz risco por conta própria, à espera de indicadores mais claros sobre a economia americana. TradingView
Apesar da estabilidade, o cenário de fundo é de leve otimismo. Segundo André Franco, CEO da Boost Research, os ETFs americanos de Bitcoin voltaram a atrair recursos na segunda-feira, com entrada líquida de cerca de US$ 211,5 milhões, revertendo uma sequência de saídas registrada na semana anterior. Esse movimento costuma funcionar como termômetro do apetite institucional pelo ativo.
Faixa de preço e níveis técnicos
Do ponto de vista técnico, analistas apontam a faixa entre US$ 64.259 e US$ 65.571 como a referência mais próxima de curto prazo, com um caminho escalonado passando por US$ 66 mil, US$ 68 mil e US$ 70 mil caso o movimento de alta ganhe força. Para baixo, o suporte psicológico em torno de US$ 62 mil segue sendo monitorado de perto, já que uma quebra desse nível reforçaria a leitura de pressão vendedora.
Um fator que ajuda a explicar a recuperação recente é o contexto internacional. O otimismo em torno de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã sobre o Estreito de Ormuz, somado à queda do petróleo, reduziu os temores de inflação e melhorou o apetite por risco nos mercados globais. Esse tipo de notícia geopolítica tende a impactar tanto ativos tradicionais quanto criptomoedas, já que ambos competem pelo mesmo fluxo de capital de investidores institucionais. Cointelegraph
Regulação nos Estados Unidos segue travada
No campo regulatório, o principal entrave continua sendo o CLARITY Act, projeto que definiria regras mais claras para o mercado de criptoativos nos Estados Unidos e que segue sem data para votação no Senado americano. Sem esse avanço legislativo, parte dos investidores institucionais prefere manter cautela antes de aumentar posições de forma mais agressiva.
O mercado também observa de perto o calendário do Federal Reserve. A reunião do FOMC marcada para setembro e o tradicional simpósio de Jackson Hole, no fim de agosto, costumam concentrar os principais sinais sobre a trajetória dos juros americanos. A diferença deste ano é que o atual presidente do Fed tem evitado sinalizações antecipadas sobre política monetária, o que torna as expectativas para o evento menos previsíveis do que em anos anteriores.
Para o investidor brasileiro, o reflexo direto aparece na cotação em reais: o Bitcoin é negociado nesta quarta-feira a cerca de R$ 329,4 mil, alta em relação aos R$ 319,8 mil do início da semana. Enquanto o quadro macroeconômico não se define, a tendência é de continuidade da lateralização, com o mercado cripto repetindo o padrão de calmaria que costuma marcar o fim do verão no hemisfério norte.
Fontes: Cointelegraph Brasil • TradingView News • Mercado Hoje

