Yuri Silva Portela, médico pós-graduado em geriatria, destaca que uma queda pode mudar significativamente a rotina de uma pessoa idosa. Embora possa parecer um acidente pontual, uma fratura, o medo de caminhar ou a redução das atividades diárias podem trazer consequências que se estendem por muito mais tempo. Por isso, a prevenção precisa fazer parte dos cuidados com a saúde e considerar os diferentes fatores que podem favorecer esses episódios.
Nesse contexto, olhar apenas para as condições clínicas não é suficiente. O ambiente onde o idoso vive e realiza suas atividades também pode apresentar obstáculos e situações de risco. Ajustes simples na casa, aliados a cuidados relacionados ao equilíbrio, à força e à mobilidade, podem contribuir para tornar o dia a dia mais seguro e preservar a capacidade de realizar as tarefas cotidianas. Leia mais a seguir!
Quais riscos podem estar escondidos na própria casa?
Tapetes soltos, fios atravessados, objetos deixados no chão e móveis posicionados em locais de passagem podem dificultar a circulação. Esses obstáculos podem parecer inofensivos no cotidiano, mas se tornam mais relevantes quando existem alterações de equilíbrio, visão ou mobilidade. Manter as áreas de circulação livres ajuda a reduzir situações em que o idoso precise desviar ou mudar repentinamente de direção.
O banheiro merece atenção especial. Piso molhado, ausência de apoio adequado e dificuldade para entrar ou sair do box podem aumentar a possibilidade de escorregões. Como esse ambiente costuma envolver mudanças de posição e superfícies úmidas, sua organização precisa considerar as características de quem o utiliza. Barras de apoio e outras adaptações podem facilitar movimentos como sentar, levantar e entrar ou sair do espaço com mais segurança.
A iluminação também interfere na segurança, ressalta o Doutor Yuri Silva Portela. Corredores, escadas e quartos pouco iluminados podem dificultar a identificação de obstáculos, especialmente durante a noite. Manter os caminhos de circulação bem iluminados é uma medida simples que pode facilitar os deslocamentos. Luzes próximas à cama e aos trajetos mais utilizados durante a madrugada também podem ajudar o idoso a se orientar antes de caminhar.
Por que a condição física também precisa ser avaliada? Saiba com o Doutor Yuri Silva Portela
Nem toda queda acontece por causa de um obstáculo, destaca o Doutor Yuri Silva Portela. Alterações de força muscular, equilíbrio, visão e mobilidade podem aumentar a dificuldade para reagir diante de um tropeço ou uma mudança inesperada de posição. Por isso, modificar a casa é apenas uma parte da prevenção. Avaliar essas condições ajuda a identificar fatores que podem estar tornando determinados movimentos mais difíceis ou inseguros.

Alguns medicamentos também podem contribuir para tontura, sonolência ou alterações da pressão, dependendo da situação individual. Isso não significa interromper ou modificar tratamentos por conta própria, mas comunicar ao profissional de saúde episódios de instabilidade, tontura ou quedas que tenham ocorrido. Essas informações podem ajudar a equipe de saúde a revisar o tratamento e verificar se existe alguma relação entre os sintomas apresentados e os medicamentos utilizados.
Como adaptar a casa sem limitar a autonomia?
Prevenir quedas não significa transformar a residência em um espaço de restrições. O objetivo é permitir que o idoso continue realizando suas atividades com maior segurança. Por isso, as adaptações devem considerar o que a pessoa realmente faz durante o dia e quais pontos oferecem maior dificuldade. Uma mudança bem planejada pode reduzir riscos sem impedir que o idoso mantenha hábitos e tarefas que ainda consegue realizar.
Na cozinha, por exemplo, objetos usados com frequência podem ficar em locais de fácil alcance. No quarto, a passagem entre a cama e o banheiro precisa permanecer livre. Em escadas, corrimãos e iluminação adequada podem facilitar o deslocamento. Cada mudança deve responder a uma necessidade concreta. Dessa forma, a organização do ambiente passa a acompanhar as capacidades do morador, em vez de simplesmente limitar seus movimentos.
O Doutor Yuri Silva Portela pontua que essa lógica é importante porque retirar atividades do idoso nem sempre é a melhor solução. Se ele consegue realizar determinada tarefa com segurança após uma adaptação, preservar essa atividade pode contribuir para sua autonomia e manter sua participação na rotina. Permitir que a pessoa continue fazendo aquilo que consegue também ajuda a evitar que a prevenção seja confundida com excesso de proteção.

