Levantamento do IBGE revela a força dos serviços na economia brasileira e mostra quais atividades concentram vagas, renda e negócios.
O setor de serviços ganhou ainda mais importância para a economia brasileira após novos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelarem a dimensão do segmento no país. A Pesquisa Anual de Serviços, divulgada em 27 de agosto, mostra que as empresas de serviços não financeiros empregaram 15,9 milhões de pessoas em 2024 e movimentaram R$ 3,5 trilhões em receita operacional líquida. O setor também adicionou R$ 2,1 trilhões ao Produto Interno Bruto (PIB), mostrando que atividades como tecnologia, alimentação, transportes, turismo, telecomunicações e serviços profissionais estão muito além de uma participação secundária na economia. (Agência Brasil)
Os números ajudam a responder uma dúvida cada vez mais importante para trabalhadores, empreendedores e investidores: quais áreas da economia brasileira estão concentrando empregos, renda e oportunidades? A resposta passa justamente pelo setor de serviços, que reúne atividades com perfis muito diferentes. Enquanto alguns segmentos dependem de grande quantidade de trabalhadores e oferecem remunerações menores, outros exigem qualificação especializada e apresentam salários muito superiores. Entender essa diferença pode ser decisivo para quem pretende escolher uma profissão, abrir uma empresa ou identificar mercados com potencial de crescimento.
Por que os serviços se tornaram tão importantes para a economia brasileira?
A Pesquisa Anual de Serviços identificou 1,9 milhão de empresas ativas no segmento em 2024, responsáveis pelo pagamento de R$ 644,2 bilhões em salários, retiradas e outras remunerações. O universo pesquisado inclui empresas de áreas como educação, tecnologia da informação, restaurantes, escritórios de advocacia, imobiliárias, telecomunicações, transportes, turismo e vigilância. Bancos não fazem parte dessa estatística, já que o levantamento trata especificamente dos serviços não financeiros. (Agência Brasil)
O peso econômico do segmento aparece principalmente quando se observa o valor adicionado ao PIB. Dos R$ 3,5 trilhões de receita operacional líquida registrados em 2024, R$ 2,1 trilhões foram adicionados à economia brasileira. Entre os grupos pesquisados, serviços profissionais, administrativos e complementares responderam por 29,4% da receita, enquanto transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio representaram 28,3%. Serviços de informação e comunicação ficaram com 19%, evidenciando o espaço crescente de atividades ligadas à tecnologia e à transformação digital. (News.PraContador)
Esse cenário tem consequências práticas para o mercado de trabalho. Diferentemente de setores altamente concentrados em grandes fábricas ou operações específicas, os serviços estão presentes em praticamente todas as cidades e possuem negócios de diferentes tamanhos. Isso amplia as possibilidades de entrada no mercado, especialmente para trabalhadores que desenvolvem competências em atendimento, gestão, tecnologia, logística, vendas e prestação de serviços especializados. Para pequenos empreendedores, o segmento também representa uma porta de entrada relativamente diversificada, com modelos de negócios que podem começar com estruturas menores e crescer conforme a demanda.
Quais áreas concentram mais empregos e quais pagam melhor?
Os dados do IBGE mostram uma diferença importante entre quantidade de vagas e remuneração. As atividades de alimentação, que incluem restaurantes, bares e bufês, foram responsáveis por 11,7% de todo o pessoal ocupado no setor, com aproximadamente 1,9 milhão de trabalhadores. Em seguida aparecem os serviços técnico-profissionais, com 1,8 milhão de pessoas, equivalentes a 11,2% do total. Também ganharam destaque serviços de escritório e apoio administrativo, transporte rodoviário de cargas e atividades ligadas a edifícios e paisagismo. (Agência Brasil)
Entretanto, as áreas que mais empregam não são necessariamente aquelas que oferecem os maiores salários. A remuneração média de todo o setor ficou em 2,2 salários mínimos em 2024, mas o transporte dutoviário alcançou média equivalente a 21,1 salários mínimos. Na sequência aparecem transporte aquaviário, com 6,9 salários mínimos, transporte aéreo, com 6,6, transporte ferroviário e metroferroviário, com 5,5, e tecnologia da informação, com 5,2 salários mínimos. A diferença revela como qualificação técnica, responsabilidade e complexidade operacional podem alterar significativamente o rendimento de uma profissão. (Agência Brasil)
Para quem está escolhendo uma carreira, essa fotografia da economia oferece uma pista importante. A demanda por profissionais não está distribuída de maneira uniforme, e atividades associadas à tecnologia, transportes especializados e serviços profissionais podem oferecer maior remuneração quando combinadas com qualificação específica. Isso não significa que todas as vagas nesses setores paguem salários elevados, mas mostra que determinadas competências podem aumentar o valor profissional em um mercado cada vez mais dependente de conhecimento técnico. Para empresas, a consequência é igualmente relevante: setores mais especializados tendem a enfrentar maior disputa por profissionais preparados.
O que os dados indicam para trabalhadores, empresas e consumidores?
O tamanho do setor de serviços também ajuda a explicar por que mudanças no comportamento do consumidor podem ter efeitos amplos sobre a economia. Uma alteração nos gastos das famílias com alimentação, transporte, turismo, cuidados pessoais ou entretenimento pode atingir diretamente milhares de empresas e milhões de trabalhadores. Da mesma forma, quando empresas aumentam investimentos em tecnologia, logística, consultoria ou serviços especializados, criam demanda por fornecedores e profissionais em diferentes pontos da cadeia econômica. O setor funciona, portanto, como uma espécie de conexão entre renda, consumo e atividade empresarial.
Para quem pretende empreender, os números indicam que existem oportunidades em mercados bastante diferentes, mas também mostram a necessidade de avaliar produtividade e qualificação antes de investir. Uma área que emprega milhões de pessoas pode apresentar concorrência intensa e margens menores, enquanto um nicho especializado pode exigir investimento inicial maior, mas oferecer maior valor agregado. A tecnologia também atravessa esse processo, seja na automação de tarefas, no comércio digital, na gestão de clientes ou na prestação de serviços profissionais. A capacidade de usar ferramentas digitais tende a se tornar cada vez mais relevante para pequenos negócios.
Outro ponto importante é que os números divulgados agora retratam 2024 e não devem ser interpretados como uma fotografia exata da economia de agosto de 2026. O próprio IBGE informa que houve mudança de metodologia e de forma de obtenção dos dados, o que impede comparações diretas com edições anteriores da pesquisa. Ainda assim, a divulgação é relevante porque mostra a estrutura e o peso econômico de um segmento que continua essencial para emprego, renda e geração de valor no Brasil. (Agência Brasil)
Os próximos indicadores serão importantes para mostrar como esse mercado evoluiu depois de 2024, especialmente diante das mudanças nos juros, no consumo e na adoção de novas tecnologias. A tendência é que serviços ligados à informação, tecnologia, logística e atividades profissionais continuem ganhando importância, enquanto setores tradicionais permaneçam fundamentais para a geração de empregos. Para o trabalhador, isso reforça a necessidade de qualificação contínua. Para empresas e investidores, o principal sinal é que a economia brasileira possui uma enorme parcela de atividade concentrada em serviços, fazendo desse segmento um dos principais termômetros para entender emprego, renda, consumo e oportunidades nos próximos anos.

