Para quem está concluindo o ensino médio em 2026, o Enem continuará sendo uma porta de entrada para universidades e poderá ser usado na certificação dessa etapa de ensino. A novidade é que a prova também passará a fazer parte da avaliação nacional da educação básica, ampliando o uso dos resultados para além da trajetória individual de cada candidato.
A mudança foi estabelecida pelo Decreto nº 12.915, publicado em março de 2026, e detalhada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A partir desta edição, o exame terá três funções no sistema educacional brasileiro: selecionar estudantes para o ensino superior, permitir a certificação do ensino médio e contribuir para o acompanhamento da educação básica.
O que muda para os estudantes
O Enem 2026 continuará sendo utilizado em processos seletivos e programas de acesso a instituições públicas e privadas de ensino superior que adotam a nota do exame. A aplicação está marcada para os dias 8 e 15 de novembro, mantendo a prova como uma das principais avaliações para quem pretende ingressar em um curso de graduação.
A certificação do ensino médio também permanece entre as finalidades do exame. Assim, a ampliação do papel da prova não elimina as funções já conhecidas pelos participantes. A principal alteração está no uso dos dados: o desempenho dos concluintes poderá ajudar a medir como está o ensino médio brasileiro em diferentes redes e escolas.
Na edição de 2026, os estudantes concluintes da rede pública tiveram a inscrição realizada automaticamente a partir das informações enviadas pelas redes de ensino ao Ministério da Educação. Esse procedimento alcançou os alunos identificados como concluintes nos registros encaminhados pelas administrações responsáveis.
Esses participantes puderam escolher entre inglês e espanhol como língua estrangeira dentro do prazo definido no edital. Quem não fez a escolha recebeu automaticamente a opção pelo inglês. A regra torna a seleção da língua um ponto de atenção para os estudantes inscritos de forma automática.
Como o Enem passa a se relacionar com o Saeb
Com a integração ao Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), o Enem também servirá para produzir informações sobre o desempenho dos estudantes que estão terminando o ensino médio. A avaliação abrangerá concluintes, inclusive aqueles matriculados na rede privada, permitindo que os resultados sejam considerados no acompanhamento nacional dessa etapa de ensino.
Na prática, a prova passa a oferecer uma leitura mais ampla do ensino médio. Além de indicar o resultado obtido por um candidato que busca uma vaga na universidade, os dados poderão ser usados pelo poder público para analisar o desempenho dos estudantes e apoiar o planejamento e o aperfeiçoamento de políticas educacionais.
Essa utilização não transforma a nota individual em um indicador único da qualidade de uma escola. O novo desenho prevê a divulgação de resultados por redes de ensino e por escolas, desde que seja alcançado o percentual mínimo de participação exigido. A previsão é que essa divulgação ocorra em 2027.
Resultados não definirão o financiamento em 2026
Embora o Enem passe a integrar a avaliação da educação básica, os resultados da edição de 2026 não serão usados para definir o financiamento da educação básica naquele ano. Para essa finalidade, continuarão valendo como referência os resultados do Saeb de 2025.
A distinção é importante para escolas, redes de ensino e famílias. O exame terá uma função adicional de acompanhamento educacional, mas a mudança não altera, em 2026, o indicador utilizado para os critérios de financiamento da educação básica. A aplicação do Enem e a análise posterior dos dados ocorrerão dentro desse período de transição.
Por que a mudança importa
O novo formato aproxima uma prova tradicionalmente associada ao acesso à universidade de uma política nacional de avaliação. Para os estudantes, isso significa que a participação no exame continuará relacionada a objetivos pessoais, como buscar uma vaga no ensino superior, mas também contribuirá para a produção de dados sobre o conjunto dos concluintes.
Para as escolas e redes de ensino, os resultados previstos para 2027 poderão acrescentar uma nova fonte de informação sobre o desempenho dos alunos do ensino médio. Segundo o Inep, esses dados deverão apoiar o planejamento e o aprimoramento de políticas públicas educacionais, sem substituir, em 2026, os resultados do Saeb de 2025 na definição do financiamento.

