A ideia de que um metabolismo considerado lento seria exclusivamente resultado da genética é comum entre pessoas que enfrentam dificuldades para emagrecer. Lucas Peralles, nutricionista esportivo, explica que a genética pode influenciar o funcionamento do metabolismo, mas não determina sozinha a capacidade de perder peso ou os resultados que podem ser alcançados ao longo do processo.
Entender quais características são influenciadas pela genética e quais aspectos podem ser modificados por meio da alimentação, atividade física e outros hábitos ajuda a construir uma abordagem mais realista para o emagrecimento sustentável. Compreenda como esses fatores se relacionam e por que a genética não deve ser encarada como uma sentença definitiva.
O que a genética realmente influencia no metabolismo?
Lucas Peralles explica que a genética influencia fatores como a taxa metabólica basal, a distribuição de gordura corporal e a resposta individual a diferentes tipos de treino e alimentação. Duas pessoas podem ter taxas metabólicas basais diferentes, mesmo com peso, altura e idade semelhantes, o que explica por que a mesma dieta gera resultados distintos entre elas.
Nesse contexto, a avaliação do histórico individual antes da definição de qualquer plano é importante, já que ignorar essas diferenças pode levar a comparações injustas entre pacientes e à falsa sensação de que alguém “está fazendo algo errado”, quando, na verdade, está lidando com um ponto de partida metabólico diferente. Duas pessoas seguindo exatamente a mesma dieta podem apresentar velocidades de emagrecimento bem distintas, sem que isso signifique falha de nenhuma das duas.
Por que a genética não determina o resultado sozinha?
Apesar de existir uma base genética real, ela representa apenas uma parte da equação. Hábitos de sono, nível de estresse, consistência alimentar, volume de treino e histórico de dietas anteriores têm impacto direto na saúde metabólica, muitas vezes maior do que a predisposição genética isolada.

Nesse sentido, Lucas Peralles reforça que grande parte dos casos de “metabolismo lento” está relacionada a anos de dietas restritivas repetidas, sono insuficiente ou padrões alimentares irregulares, e não apenas a uma característica genética fixa e imutável. Corrigir esses pontos costuma trazer resultado, mesmo em pacientes que já acreditavam ter esgotado as opções, o que reforça que a genética é apenas um dos fatores envolvidos, e não o único responsável pela dificuldade de emagrecer.
O impacto de dietas restritivas repetidas no metabolismo
Ciclos repetidos de restrição calórica severa, seguidos de recuperação de peso, podem alterar temporariamente a forma como o corpo administra energia, tornando o processo de emagrecimento mais difícil a cada nova tentativa. Isso é frequentemente confundido com uma limitação genética, quando, na verdade, é resultado do próprio histórico de dietas anteriores.
O histórico alimentar deve ser considerado logo no início do acompanhamento, porque o plano para alguém que já passou por vários ciclos de restrição extrema precisa ser diferente do plano para quem está começando o primeiro processo de emagrecimento, mesmo que os dois cheguem ao consultório com o mesmo objetivo.
Como trabalhar dentro dos limites genéticos de cada pessoa?
Lucas Peralles ressalta que reconhecer a influência genética não significa aceitar que nada pode ser feito. Significa ajustar as expectativas e a estratégia à realidade metabólica de cada paciente. Na prática, alguém com uma taxa metabólica basal mais baixa pode, sim, emagrecer e manter resultado, mas o caminho tende a exigir mais consistência e menos margem para grandes excessos frequentes.
Por isso, o plano alimentar precisa considerar as características e o histórico de cada pessoa, priorizando previsibilidade e ajustes graduais em vez de metas genéricas que ignoram a genética de cada pessoa. Essa abordagem evita frustração e compara o progresso do paciente com o próprio histórico, não com o resultado de outra pessoa com um ponto de partida metabólico diferente.
Entender essa diferença costuma ser um alívio para quem já se sentiu incapaz de emagrecer, mesmo se esforçando, porque muda o foco de “por que tenho dificuldade para emagrecer?” para “o que precisa ser ajustado na minha estratégia especificamente?”.
Lucas Peralles traz conteúdos sobre metabolismo, emagrecimento sustentável e saúde metabólica em seu Instagram. Para acompanhá-lo, siga @nutriperalles.

